quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Carta aos Catequistas da CDJP

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Comissão Diocesana Justiça e Paz

    Rua do Brasil, Apartado 3069

            3001-401 Coimbra

 

Car@s Catequist@s

 

Sua referência                                                                                    Nossa Referência              

                                                                                  2.7 de 2012-set-25

 

Assunto: Ano da Fé

 

Como todos sabemos, o Papa convocou um “Ano da Fé” para o próximo ano pastoral alargado, a começar no dia 11 de Outubro de 2012 (50.º aniversário da Abertura do Concílio Vaticano II e o 20.º aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica) e a terminar no dia 24 de Novembro de 2013, na Solenidade de Cristo Rei.

 

Na proclamação deste Ano da Fé, Bento XVI deixa bem claro, na Carta Apostólica Porta Fidei, que, mais do que a dupla comemoração, o que está em causa é “redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo” (n.º 2) como o valor estruturante da vida das pessoas e das sociedades, num tempo em que cresce sociologicamente o número dos que dizem “não acreditar” e se multiplicam subprodutos religiosos, como seitas, adivinhações e outras formas esotéricas de se relacionar com o mistério da vida. A ideia que verdadeiramente está subjacente a este Ano da Fé é a da “nova Evangelização”, que aliás serve de tema ao Sínodo dos Bispos convocado igualmente para outubro de 2012: “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, como lembra Bento XVI logo no mesmíssimo parágrafo em que proclama este Ano da Fé.

 

A Comissão Diocesana Justiça e Paz (CDJP) de Coimbra – como organismo da Igreja – adere à celebração deste Ano da Fé e espera vivamente que todos os cristãos e estruturas eclesiais se empenhem ativamente na boa consecução do mesmo. Ao mesmo tempo, como contributo próprio, a partir daquilo que lhe é específico como missão que lhe foi confiada pela própria Igreja, a CDJP gostaria de sublinhar e propor à reflexão de todos os cristãos três aspetos concernentes à fé e nem sempre plenamente conscientizados:

a)      A fé tem uma dimensão social inequívoca: “A fé, precisamente porque é um ato da liberdade, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita”, diz Bento XVI (n.º 10). Desafiamos todos os promotores de iniciativas integradas na celebração do Ano da Fé a não esquecerem, antes promoverem, ”com o ardor dos santos”, a consciencialização desta dimensão social da fé, respondendo convictamente ao desafio que João Paulo II nos deixou: “Fiéis à Verdade, irmãos e irmãs, continuemos a participação na realeza de Cristo, servindo como Ele, Senhor e Mestre, fez e ensinou. Este é o caminho: cristãos no aconchego da intimidade pessoal; cristãos no interior do lar, como esposos, pais e mães e filhos, em “igreja doméstica”; cristãos na rua, como homens e mulheres situados; cristãos na vida em comunidade, no trabalho, nos encontros profissionais e empresariais, no grupo, no sindicato, no divertimento, no lazer, etc.; cristãos na sociedade, ocupando cargos elevados ou prestando serviços humildes; cristãos na partilha da sorte dos irmãos menos favorecidos; cristãos na participação social e política; enfim, cristãos sempre, na presença e glorificação de Deus, Senhor da vida e da história” (Sé de Lisboa; 1982).

b)   Tal responsabilidade social encontra, no nosso tempo, a sua corporização teórica na Doutrina Social da Igreja, que é, precisamente, “a formulação acurada dos resultados da reflexão atenta sobre as complexas realidades da existência do homem, na sociedade e no contexto internacional, à luz da fé e da tradição eclesial (para) orientar o comportamento cristão” [sublinhado nosso] (SRS 41). Ora “a fé sem obras é morta”, recorda ainda Bento XVI, citando a Carta de Santiago. Mas à fé não são suficientes quaisquer obras e de quaisquer modos. Ela precisa de se traduzir, em cada época, nos “princípios de reflexão, normas para julgar e diretrizes para a ação” fornecidos pela doutrina social da Igreja (OA 4). Só com esta fundamentação as obras podem estar ao serviço da fé no plano da sociedade e podem tornar viva a fé no meio das complexas realidades da existência do homem. Não é possível desvincular – sem desvirtuamento de uma e de outra – a doutrinação da fé do estudo da Doutrina Social da Igreja.

c)      A fé que procuramos viver e aprofundar e que propomos – na simplicidade da partilha fraterna do melhor que temos – aos nossos concidadãos e concidadãs, nasce da evangelização. Mas, como proclama João Paulo II, “para a Igreja, ensinar e difundir a doutrina social pertence à sua missão evangelizadora e faz parte essencial da mensagem cristã, porque essa doutrina propõe as suas consequências diretas na vida da sociedade e enquadra o trabalho diário e as lutas pela justiça no testemunho de Cristo Salvador” (CA 5). Ora a verdadeira evangelização, lembrava Paulo VI, não é a aplicação de “um verniz superficial”, mas consiste em “atingir” e “modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade”. (cfr. EN 19-20). Uma vez mais, a fidelidade à própria intenção de Bento XVI ao proclamar o Ano da Fé como um ano para um novo dinamismo evangelizador exige uma atenção redobrada aos “critérios”, aos “valores”, aos “interesses”, às “linhas de pensamento”, às “fontes inspiradoras”, aos “modelos” propostos pela própria Doutrina Social da Igreja, pois nela se sintetiza a “reflexão acurada” da alternativa que, à luz do Evangelho, a Igreja tem para propor à sociedade.

Finalmente, lembramos que a Comissão Nacional Justiça e Paz publicou um conjunto de 25 fichas sobre outros tantos temas de DSI reunidas no livro “Em nome de Jesus Cristo” (editado pelas Paulinas), que poderão servir de texto de apoio. Mas o melhor resumo oficial, de autoria do Conselho Pontifício Justiça e Paz, é o Compêndio de Doutrina Social da Igreja, que pode ser lido na sua versão integral no sítio do Vaticano (www.vatican.va em Cúria Romana – Conselho Pontifício “Justiça e Paz”). Neste sítio também se encontram os documentos dos Papas e das Congregações ou Comissões.

 

Amig@s, vós sois os grandes educadores da fé! Na proximidade do início deste Ano da Fé, aceitai esta nossa carta, se no-lo permitis, antes de mais como reconhecimento muito sentido dessa missão que vos está confiada; depois, como gesto fraterno de comunhão na edificação do único bem que tudo o mais nos traz por acréscimo: o Reino de Deus.

Comissão Diocesana Justiça e Paz"

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